Saturday, June 18, 2011
aquela fagulha nos lençóis da noite
não foi seguida por um anjo
não foi apontada por herói
que ela guiasse sob os vagalhões
de uma fúria.
aquele astro recolhido nas planíces
de um ártico alegrou-se calmo por
não ser um destino, por não
desenhar zodíacos.
A dedicação de um nome
pegar teu nome é acariciar-me
na voz. imperiosa forma
de um culto. o que ganho
das tuas letras é a ciência
da guerra: manter-te
estranha até o fim e te singrar,
traçar caminhos nos círculos
dos desertos.
Sunday, February 06, 2011
as horas da manhã - leite do sol
derramado sobre o dia. calma
que revela em tua fala. conta-me
as duas crianças que se tocam
derramado sobre o dia. calma
que revela em tua fala. conta-me
as duas crianças que se tocam
enfrenta o ciclone, ciclope.
dança o escombro no seu torso,
a alegre queda da luz. vejamos
o céu se torcendo ao seu toque
e a se falésia abrindo nos seus dedos.
olha-o com teu único olho.
confronta-o - estiges se olhando.
dança o escombro no seu torso,
a alegre queda da luz. vejamos
o céu se torcendo ao seu toque
e a se falésia abrindo nos seus dedos.
olha-o com teu único olho.
confronta-o - estiges se olhando.
Wednesday, October 13, 2010
ei-los, os ventos adentram a sacada
correm de prata as balaustradas,
fecham as portas num toque.
recolhe-se , ó alma dos dias
nas fortalezas erguidas pela
fumaça do meu cachimbo
e medita as horas tranquilas
.
ó prata aquecida nos meus dedos,
ó calor das nuvens da sacada...
a presença dos sopros.
Saturday, August 21, 2010

DO MERGULHADOR, PAESTUM, ITÁLIA
1.
mel cansado nos gestos, minha delícia.
os mergulhos terminaram - a superfície
é prata.
retorno a tarde ostentando o sol e os nomes
que descobri lá no fundo: thália, aqueus,
mormaços.
2.
mergulhador incansável vai buscar a pérola
exausta em mil turbilhões que deliquem - a obra
que eu te busco e te encontro
junto do sal, da calma, da vaga.
Monday, December 21, 2009
recorrerei a subtil verdade das manhãs inúteis
para refazer-me das alegorias da destruição
da pouca beleza reconhecida no deserto
para os velhos de arrimo e lampâda de manto e silêncio
recorrerei para que o olhar quando cerrados
reconforte do tanto ver sem valor - deixar
exaustos os olhos de olhar.
e ainda quando o silêncio só for o da alma
de torpor recorrendo as manhãs de nada e sol
o canto invoque a anciã serenidade de um deus
envelhecido.
30/08/05
para refazer-me das alegorias da destruição
da pouca beleza reconhecida no deserto
para os velhos de arrimo e lampâda de manto e silêncio
recorrerei para que o olhar quando cerrados
reconforte do tanto ver sem valor - deixar
exaustos os olhos de olhar.
e ainda quando o silêncio só for o da alma
de torpor recorrendo as manhãs de nada e sol
o canto invoque a anciã serenidade de um deus
envelhecido.
30/08/05
... me pergunto o que será desta lembrança
quando mesmo a morte deixar de impelir
sua sombra deslizada sobre tuas coisas...
posso crer nesta manhã que eu não vivi na
lânguida imortalidade dos gestos, dos
guaches dos olhos à pouca luz, as impressões
de silêncio que o rosto assume quando nada
quer dizer
... é o único afeto o operador de teurgias
tardes, invocando a morte, mesmo
para tornar imprescindível estas expressões de ti.
14/08/05
quando mesmo a morte deixar de impelir
sua sombra deslizada sobre tuas coisas...
posso crer nesta manhã que eu não vivi na
lânguida imortalidade dos gestos, dos
guaches dos olhos à pouca luz, as impressões
de silêncio que o rosto assume quando nada
quer dizer
... é o único afeto o operador de teurgias
tardes, invocando a morte, mesmo
para tornar imprescindível estas expressões de ti.
14/08/05
antes poderia dizer como ele: "afunda-se quem soergue
as grandes pedras". e eu soergui a máscara da esposa
do manipulador; seus olhos, espelhos do dois, olharam-me
com crepúsculo
as grandes pedras". e eu soergui a máscara da esposa
do manipulador; seus olhos, espelhos do dois, olharam-me
com crepúsculo
Thursday, December 03, 2009
à luanna v.
certo está a verdade da ausência. reafirma
sua materialidade nunca tocada, cava palavras
na aporia da falésia do que não tenho, distribui
angústias dos toques. sim, certo está a saudade,
este teu mar por dentro que ninguém toca
derramado sobre minhas rochas, derramado
na manhã. reafirma o sol por trás de tuas
brincadeiras, sempre a menina que sozinha
realiza a falta, o contentamento de estar
como aquela chuva que não morre.
certo está a verdade da ausência. reafirma
sua materialidade nunca tocada, cava palavras
na aporia da falésia do que não tenho, distribui
angústias dos toques. sim, certo está a saudade,
este teu mar por dentro que ninguém toca
derramado sobre minhas rochas, derramado
na manhã. reafirma o sol por trás de tuas
brincadeiras, sempre a menina que sozinha
realiza a falta, o contentamento de estar
como aquela chuva que não morre.
Thursday, October 15, 2009
metáfora poderosa esta em dizer-te
"com veias no sol teu filho será manhã"
pois há um inimigo vencido
na lança da tua vontade
a morte atávica que nos relembra
que não somos. sim, teu filho
a aurora sobre o fim, a promessa
aliviada desse cumprir por já ser.
....
por que não a tua nudez novamente?
calímaco relembraria do teu nome
apenas; eu quero-te toda a imagem
e todos os mundos que dela decorrem.
pés, mãos, seios e nádegas, a boca é
outra coisa composta de perfeição
variada que uma musa devotara
sozinha e toda para ela.
....
L´AMOUR DESTRUIT
a lança e a cimitarra , golpes vermelhos
sobre o peito, estertores sem palavras
e o fim. teus arsenais calmos
de quem destrói e quer vencer ilesa
da clemência e da lembrança,
do sabor dos dias que na hora
viu nos meus olhos como a aniquilação.
impiedosa e vermelha, como não supor
conluio com as fúrias, pacto com moloch,
amores com carrascos? o meu amor destruído
é mansões desmoronadas sem cadáveres.
"com veias no sol teu filho será manhã"
pois há um inimigo vencido
na lança da tua vontade
a morte atávica que nos relembra
que não somos. sim, teu filho
a aurora sobre o fim, a promessa
aliviada desse cumprir por já ser.
....
por que não a tua nudez novamente?
calímaco relembraria do teu nome
apenas; eu quero-te toda a imagem
e todos os mundos que dela decorrem.
pés, mãos, seios e nádegas, a boca é
outra coisa composta de perfeição
variada que uma musa devotara
sozinha e toda para ela.
....
L´AMOUR DESTRUIT
a lança e a cimitarra , golpes vermelhos
sobre o peito, estertores sem palavras
e o fim. teus arsenais calmos
de quem destrói e quer vencer ilesa
da clemência e da lembrança,
do sabor dos dias que na hora
viu nos meus olhos como a aniquilação.
impiedosa e vermelha, como não supor
conluio com as fúrias, pacto com moloch,
amores com carrascos? o meu amor destruído
é mansões desmoronadas sem cadáveres.


